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Petrus RaulinoPsiquiatria Clínica
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Biologia e saúde mental

Estresse traumático na infância pode levar a mudanças cerebrais na idade adulta

Publicado em 4 de maio de 2021 · Dr. Petrus Raulino · CRM-SP 97.166

Avaliação e tratamento em Campinas: Estresse pós-traumático em Campinas: avaliação e tratamento com psiquiatra

Por Dr. Petrus Raulino

Um estudo realizado na Universidade de Alberta mostrou que eventos traumáticos ou estressantes na infância podem afetar o volume de estruturas cerebrais. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Psychiatry & Neuroscience.

Os eventos traumáticos na infância podem induzir a mudanças biológicas na estrutura cerebral: especialmente em sub-regiões específicas dos hipocampos e amígdalas cerebrais.

Na fase adulta, essas alterações podem tornar-se mal adaptativas, tornando as pessoas mais vulneráveis a transtornos psiquiátricos.

Sabe-se que o estresse pós-traumático é um fator de risco bem conhecido para o desenvolvimento de transtornos mentais, como o Transtorno Depressivo Maior (TDM) na idade adulta.

O hipocampo é fundamental para a formação e arquivamento de memórias emocionais e verbais. A amígdala é corresponsável pela criação de conteúdo emocional de memórias associadas a respostas agressivas e ao medo.

Para o estudo, foram recrutados 35 participantes com diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior e 35 participantes saudáveis para grupo-controle.

Foram realizados exames de ressonância magnética de crânio. O histórico de traumas na infância foi avaliado por meio de escala (Childhood Trauma Questionnaire).

O estudo apresentou evidências in vivo de associações negativas entre história de maus tratos na infância e volumes na amígdala direita, hipocampo anterior e subcampo do corno de Amon total (CA 1-3) bilateralmente.

 

Segmentação do hipocampo e da amígdala. Corno de Amon delineado em vermelho, giro denteado em azul e subículo em verde. Núcleo lateral da amígdala delineado em rosa, núcleo basal em roxo escuro, núcleo basal acessório em roxo claro, grupo cortical em laranja e grupo centromedial em amarelo
FIGURA – Segmentação do hipocampo e da amígdala. Corno de Amon delineado em vermelho, giro denteado em azul e subículo em verde. Núcleo lateral da amígdala delineado em rosa, núcleo basal em roxo escuro, núcleo basal acessório em roxo claro, grupo cortical em laranja e grupo centromedial em amarelo. Fonte: Aghamohammadi-Sereshki e col., 2021.

Maior escore de história de maus tratos na infância foi associado a menor volume de estruturas do lobo temporal medial em participantes com Transtorno Depressivo Maior.

Os achados da pesquisa podem representar mais um passo na direção para identificar os mecanismos biológicos potenciais pelos quais os maus tratos na infância levam a impactos clínicos na vida adulta.

 

Referências

Aghamohammadi-Sereshki, A., Coupland, N. J., Silverstone, P. H., Huang, Y., Hegadoren, K. M., Carter, R., … & Malykhin, N. V. (2021). Effects of childhood adversity on the volumes of the amygdala subnuclei and hippocampal subfields in individuals with major depressive disorder. Journal of Psychiatry & Neuroscience: JPN, 46(1), E186.

Schmaal, L., Veltman, D. J., van Erp, T. G., Sämann, P. G., Frodl, T., Jahanshad, N., … & Hibar, D. P. (2016). Subcortical brain alterations in major depressive disorder: findings from the ENIGMA Major Depressive Disorder working group. Molecular psychiatry, 21(6), 806-812.

Lindert, J., von Ehrenstein, O. S., Grashow, R., Gal, G., Braehler, E., & Weisskopf, M. G. (2014). Sexual and physical abuse in childhood is associated with depression and anxiety over the life course: systematic review and meta-analysis. International journal of public health, 59(2), 359-372.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento dependem de avaliação individual.

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